Qual o impacto do COVID-19 para a indústria do turismo portuguesa? Quais os próximos passos a dar?

O Mundo mudou e cada vez mais alterações surgem a cada dia que passa. Antes do COVID-19, Portugal era um dos destinos europeus de destaque dentro do mercado americano, que crescia a um ritmo galopante. No final de 2018, a revista norte-americana de viagens Travel + Leisure considerou Portugal como o “Destino do Ano para 2020”. A TAP subiu de 3 rotas aéreas para 7. Pela primeira vez, ultrapassou-se a barreira do 1 milhão de turistas americanos em Portugal.



De acordo com o recente Harris Poll, apenas 21% dos americanos dizem ficar num hotel dentro de 30 dias. Mas, cerca de 60%, dizem que ficariam num hotel dentro do prazo de 6 meses ou menos. Grandes hotéis e alojamentos com mais de 200 quartos poderão ter que esperar pela vacina solucionadora para restabelecer a sua presença nesta parte do mercado.



Hoje, todos os voos feitos pela TAP encontram-se suspensos e Portugal está em total isolamento. Sendo assim, como é que Portugal se poderá reerguer num mundo pós-COVID-19? Tudo será possível se os passos e os investimentos certos forem feitos. Comecemos, então, por fazer uma análise SWOT.


Pontos Fortes

O impacto do COVID-19 em Portugal não alcançou as dimensões de Itália ou Espanha e a pronta resposta do governo português ao início do surto atraiu largos elogios dos jornais americanos.


Portugal é o país europeu mais próximo dos Estados Unidos - a uma distância de apenas 4-5h dos Açores ou Lisboa. Voar para a capital portuguesa desde Nova Iorque ou Boston é o mesmo que voar para Los Angeles. E estas rotas não estavam dependentes das companhias low-cost que agora enfrentam sérias preocupações.


Portugal é um país maioritariamente rural, com apenas algumas cidades de tamanho considerável. Os turistas americanos já se começavam a questionar o que mais visitar para além de Lisboa ou do Porto.


À exceção do Algarve, são os pequenos hotéis e alojamentos locais que dominam o mercado português e será por estas ofertas de estadia que os americanos vão optar.


Com hectares de património de parques naturais, paisagens montanhosas e de zona costeira, boas redes de estrada e de caminhos de ferro, Portugal facilita o desejo de explorar dos americanos. 


Fraquezas

A campanha do can’t skip nunca esteve realmente voltada para o mercado dos Estados Unidos e pouco sentido fez ao viajante americano que via Portugal como o próximo grande destino a visitar. Deste modo, não há uma imagem de marca sólida por estes lados.


Aos olhos do turista americano, há Lisboa, Porto e Algarve - o resto é paisagem. Apenas recentemente as restantes regiões do país começaram a ver os Estados Unidos como um mercado prioritário, por isso, há trabalho a ser feito.

Na generalidade dos americanos, há pouco conhecimento relativamente à cultura, gastronomia e geografia portuguesa.


O site Visit Portugal está desatualizado e pouco direcionado ao mercado norte-americano. 


Oportunidade:


Itália, Espanha e França estão a ser fortemente atingidas e vão levar muito tempo a se recomporem.


Face ao período de confinamento, irá surgir uma forte procura dentro do mercado das viagens.


Portugal ainda é uma nação maioritariamente rural.


A maioria dos hotéis portugueses são pequenos e de propriedade local.


Ameaças


Outros países podem apresentar novos produtos direcionados ao mercado dos EUA.


As viagens domésticas podem preencher a lacuna deixada pelo impacto do COVID-19.


A vacina solucionadora pode levar anos a ser conseguida.


A economia pode não conseguir restabelecer-se por largos anos.


O sentimento presente em Portugal pode fazer o país virar-se de costas para os estrangeiros.


Quando as coisas voltarem ao normal, os viajantes podem já se ter esquecido de Portugal.



O que há agora a fazer?


Pesquisa - levar algum tempo a perceber o mercado, ver para onde é que ele se direciona e saber no que investir para entrar de acordo com as tendências de mercado.


Marca - A sua marca poderá estar desatualizada ou dessintonizada. Agora é a altura de descobrir isso e de fazer ajustes. É simples: marcas que não se adaptarem a esta nova realidade vão falhar. Mesmo tendo feito um grande investimento financeiro nos últimos tempos, isso não o deverá impedir de se moldar às novas tendências.


O mercado tem novas realidades, não se prenda àquilo que funcionava antes.


Marco-target. A era do tamanho único já acabou. Divida o mercado em públicos menores e ajuste seu marketing digital.



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